sexta-feira, 18 de setembro de 2015

CATEGORIAS DE BASE: PARABENS CLUBES E CBF ESTAMOS ATRÁS ATÉ DA CROÁCIA

Como o Dínamo de Zagreb tem uma das Melhores Categorias de Base do Mundo.

Os clubes europeus estão em posição mais avançada do que o restante do mundo quando o assunto é prospecção, detecção e formação de talentos. Essa condição não é restrita aos grandes clubes do continente, clubes médios e pequenos também apresentam processos de formação de altíssima qualidade.
Para exemplificar as boas condições para formação de atletas na Europa, trazemos o exemplo do Dínamo de Zagreb da Croácia, clube que, de acordo com a Associação dos Clubes Europeus é uma referência nesse quesito. Se valendo de um ótimo processo de prospecção e seleção de atletas, o Dínamo consegue captar jogadores jovens de extrema qualidade, formá-los adequadamente, utilizá-los na equipe principal com papel de preponderância e posteriormente vendê-los para alavancar o clube financeiramente.
Essa fórmula garantiu ao Dínamo 10 campeonatos nacionais seguidos e mais de 110 milhões de euros no caixa por transferências de jogadores com até 24 anos nos últimos 15 anos. O objetivo principal do trabalho das categorias de a base do Dínamo de Zagreb é permitir que no mínimo dois atletas por faixa etária terminem seus processos de formação na equipe profissional do clube. É um objetivo relativamente simples mas que exige uma estrutura adequada, conforme mostraremos a seguir.
O clube conta com um centro de treinamento de 36.000 metros quadrados, aonde existem 6 campos para uso das categorias de base, 4 deles de grama natural e 2 de grama artificial. A estrutura da categoria de base fica próxima às instalações da equipe principal, o que garante uma integração entre os profissionais envolvidos no trabalho.
Além dos campos, existe uma área para recuperação física que contempla uma moderna academia e uma piscina disponíveis de acordo com as exigências das categorias sub-8 até sub-19. Para fazer parte das categorias de base do Dínamo de Zagreb, o jovem pode se inscrever para participar das diversas avaliações realizadas pelo clube ou ser recrutado por um dos 5 olheiros que trabalham em Zagreb e no Norte da Croácia ou por um dos 4 que cobrem a Bósnia e Herzegovina, Austrália, Canadá e Estados Unidos, 4 países com muitos imigrantes croatas.
Os 9 olheiros que trabalham para o Dínamo de Zagreb fazem suas avaliações de acordo com parâmetros estabelecidos pelo clube. As características principais buscadas são habilidade, mais precisamente agilidade, personalidade e técnica, mais precisamente controle de bola. Em primeiro lugar é buscado um perfil de jogador técnico, para que somente aos 13 anos de idade se inicie os trabalhos táticos sempre baseados no esquema 4-4-2 ou 4-2-3-1.
Os treinadores das diversas categorias não exercem poder ilimitado, todos obedecem a filosofia do clube e montam seus programas de treinamento com apoio da direção da respectiva categoria. Para ser um dos 21 treinadores que trabalham no Dínamo de Zagreb é necessário ter um alto nível de inteligência, ser emocionalmente estável e ter habilidade em transmitir conhecimentos, não é necessário ter sido um ex jogador de futebol.
A metodologia de treinamento deve respeitar os parâmetros definidos pelo clube. Para os jovens entre 8 e 11 anos, os treinos devem ser baseados em elementos que visem aprimorar a técnica e o controle de bola, sempre enfatizando a questão recreacional do esporte e o aprendizado livre,  mesmo para os jovens que já estejam na equipe de competição. Cada equipe de competição é composta por 12 jogadores, muitas vezes recrutados de outros clubes de Zagreb, foco principal do Dínamo para essas faixas etárias, e já lhe são passados fundamentos táticos teóricos através de conversas para que possam manter suas posições dentro do campo.
Entre os 12 e 16 anos, os jovens são incentivados a trabalhar a velocidade com a bola e as combinações de passes. O calendário croata não é muito extenso nessa categoria, por isso o clube organiza partidas amistosas e torneios com participação de equipes internacionais para manter seus jovens em ritmo de competição. Durante as partidas são intensamente cobrados aspectos e princípios da marcação por zona, “pressing” e transições rápidas, a meta é executar movimentos e jogadas com a maior velocidade possível e com poucos toques na bola, além de ter rígida obediência tática.
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A partir da categoria Sub-15, os jovens recebem algumas responsabilidades e devem cumprir certas normas: possuem apenas dois dias de folga por mês, devem seguir a dieta nutricional estabelecida pelo clube. Os jogadores que moram nas instalações do clube são visitados pelos pais sem restrições de dias, para que o jovem mantenha o vínculo e os valores familiares.
As categorias Sub-17 e Sub-19 são tratadas pelo clube como categorias estratégicas e já recebem a atenção da equipe profissional. Existe um intercambio de categorias, aonde os mais velhos da Sub-17 participam das atividades com a Sub-19 e muitas vezes já são incorporados definitivamente no plantel, devido a isso, o número de jogadores é de 26 em cada categoria.
Nessa faixa etária é que os jovens atletas do Dínamo entra em contato com a equipe profissional, normalmente participam de pelo menos uma atividade semanal com a equipe profissional e recebem as mesmas condições dos jogadores da equipe adulta, referente a individualização de aspectos físicos, fisioterápicos, técnicos e táticos de acordo com a posição que atuam. O processo de transição do jovem da categoria de base para a equipe principal é muito bem cuidado pelo clube, muitos jogadores passam ainda por outro estágio na formação sendo emprestados para o NK Lokomotiva, clube que também joga na Primeira Liga da Croácia e é afiliado ao Dinamo.
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Um dado que valida e mostra como o trabalho realizado no Dínamo de Zagreb é bem feito é a porcentagem de jogadores que fazem todo o processo de formação no clube. 13% dos jovens que jogaram no Sub-8 atingiram a categoria Sub-19 e 34% dos que jogaram na Sub-11 chegaram na categoria Sub-19. A Seleção Nacional também aproveita o bom desenvolvimento de jogadores do Dínamo, 10 jogadores dos 24 normalmente convocados foram formados no clube, 09 jogadores da Seleção Sub-21 são formados no Dínamo e 15 dos 19 jogadores da Seleção Sub-17 17 são jogadores do clube de Zagreb.
Os resultados desse bom trabalho realizado pelo Dínamo de Zagreb são impressionantes em todas as ordens. Financeiramente o clube arrecadou 110 milhões com vendas de jogadores formados no clube nos últimos 15 anos, tendo um custo de aproximadamente 20 milhões de euros para a operacionalização da estrutura de base, é o maior vencedor de competições Sub-17 e Sub-19 da Croácia na última década, 13 dos 26 jogadores do plantel atual são formados no clube que atualmente é o decacampeão nacional.
Não existe fórmula mágica para formar bons jogadores e está provado que só captar talentos precoces não garante que um clube forme bons jogadores para o futuro. O Dínamo de Zagreb pode ensinar muito aos gestores das categorias de base dos clubes brasileiros.
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site: www.futebolplanejado.com 

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

CBF: UMA VERGONHA ATÉ NA BASE


Hoje fiquei muito desiludido, porque acho que depois de todos os acontecidos na FIFA e na CBF, achei que tinham mudado o pensamento na hora de convocarmos os atletas, não estou falando da seleção principal, porque essa aí não tem jeito, estou falando da seleção brasileira sub-17, aonde de novo, convocaram atletas de times de "camisa" e de "empresários". Vou dar um exemplo lógico: Quem é o artilheiro do paulista sub-17?
Para quem não sabe é o garoto Bruno Camacho Arimoto (foto), atacante do Grêmio Desportivo Prudente, pasmem, o garoto está com 26 gols, mais mesmo assim, a CBF não consegue olhar para o pequeno Grêmio. Tive o prazer de conhecer esse garoto quando o Gabriel Oliveira e Juninho Silva estavam na equipe de Prudente, o que falta de habilidade sobra em vontade e consciência tática, aquilo que um jogador moderno tem que ter de sobras e esse garoto tem.
Enquanto estiverem usando essa metodologia estranha de convocar atletas que são de amigos e aderentes, não vamos mudar nunca a cara do nosso tão degradado futebol brasileiro.

terça-feira, 28 de abril de 2015

BRASIL: O PAÍS DO FUTEBOL E SEUS DESEMPREGADOS DA BOLA

Os 20 mil desempregados do Futebol

POR EDUARDO CONDE TEGA*

Um mesmo ciclo negativo se repetirá no próximo domingo: mais de 20 mil profissionais do futebol brasileiro estarão desempregados, incluindo atletas, treinadores, assistentes técnicos, preparadores físicos, supervisores, roupeiros e massagistas, entre outros.
São profissionais que pertencem a centenas de clubes espalhados pelo Brasil e que ficarão sem atividades até o final do ano, em função do atual calendário promovido pela CBF e suas respectivas federações. Muitas destas equipes irão se despedir da temporada com menos de 18 jogos e as federações repetirão o discurso de que, sem os estaduais, a situação seria ainda pior.
Já os clubes considerados grandes, na outra ponta, poderão jogar um número excessivo de partidas, o que impede uma preparação mais adequada e que impacta diretamente na qualidade do espetáculo.
Em alguns casos serão mais de 80 jogos, número 40% superior ao número de partidas que são disputadas pelas principais equipes da Europa, por exemplo, numa mesma temporada.
Qualquer presidente de federação ou confederação defenderá em tom romântico que o campeonato estadual é responsável por gerar empregos e movimentar a economia nos primeiros meses do ano, mesmo que os números digam o contrário.
Os campeonatos estaduais são unanimidade em modelo deficitário para torcedores, clubes e imprensa.
Exceto para quem organiza e transmite a competição.
Diminuir a quantidade de jogos dos grandes, ao priorizar as principais competições, e aumentar consideravelmente a quantidade de jogos dos clubes de menor porte é fundamental para iniciarmos esse movimento benéfico ao esporte no país.
Os estaduais são um patrimônio histórico e cultural de cada Unidade Federativa, mas há a necessidade de se adequarem à importância que eles têm hoje em dia.
A situação de falência em que se encontram por todos os Estados do Brasil está diretamente relacionada à manutenção dos feudos das federações.
Para eles, maior tempo de calendário para os estaduais significa mais poder e dinheiro.
O atual modelo de governança do futebol brasileiro concentra riquezas nas federações e na CBF, que cavam um buraco ainda maior para os clubes se enterrarem.
É necessário criar viabilidade para clubes do interior, ao resgatar as rivalidades regionais e fomentar a atividade econômica que gira em torno deles.
Mas, essencialmente, os clubes do interior precisam competir, já que não conseguem criar e manter um vínculo com seu torcedor, que hoje passa mais da metade do ano sem ver seu time jogar e assiste aos jogos de equipes grandes pela TV. Principalmente equipes e ligas internacionais.
Um novo formato para os estaduais deve urgentemente ser discutido e implementado por quem dirige o futebol brasileiro.
Mas como os interesses dessas entidades e de seus dirigentes passam longe do desenvolvimento do futebol brasileiro, os clubes ou o Governo deveriam intervir imediatamente.
Os clubes lutam para pagar suas contas, tributos e dívidas; e tem com as federações a mesma relação que um devedor tem com seu gerente de banco.
Já o Governo, tenta fazer da MP 671 um instrumento de decência em conceitos básicos como gestão responsável e limites de mandatos às federações, para inspirar o mesmo formato em outros esportes e levar democracia e gente séria às entidades que deveriam, no mínimo, organizar as competições com competência.
Verdadeiramente, somente teremos mudanças significativas tendo em vista o desenvolvimento do futebol nacional quando o colégio eleitoral da CBF e das federações for ampliado. Quando todos os atletas e clubes tiverem direito a voto na Assembleia Geral e fóruns decisórios das entidades que organizam as competições que estiverem disputando, com o mesmo peso dos demais.
Não é a toa que está esculpida em pedra no Museu Olímpico de Lausanne, na Suíça, a seguinte frase:

“Sem o atleta não há esporte.”
*Eduardo Conde Tega dirige a Universidade do Futebol.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

CBF SE RENDE AO FUTEBOL ALEMÃO E VAI COPIAR BASE DA ATUAL CAMPEÃ DO MUNDO


CBF oficializa plano para construir


15 CTs de formação no Brasil

Anúncio foi feito nesta segunda-feira por, Alexandre Gallo. Centros serão construídos em estados que não foram sede da Copa do Mundo

Por Rio de Janeiro

O coordenador técnico da base da CBF, Alexandre Gallo, anunciou nesta segunda-feira que a entidade construirá, com a ajuda da Fifa, 15 novos centros de treinamento no país. 

Os CTs, que terão como prioridade a formação de atletas, deverão ser construídos em todos os estados que não foram sede da Copa do Mundo. O primeiro deles já está sendo erguido no Pará.

- A ideia é que cada CT trabalhe com 720 garotos, totalizando 10,8 mil jogadores. Todos trabalhando com uma metodologia única de formação - afirmou Gallo.
A previsão é que os centros de treinamento estejam prontos até 2017. Para Gallo, será uma contribuição importante para o futebol brasileiro. 
- É um legado da Copa que vai ser fantástico para o trabalho de formação no Brasil - completou .
Gallo seleção Brasil Sub-21 (Foto: Felipe Schimidt)Coordenador da base, Gallo quer unificar metodologia de formação do futebol brasileiro (Foto: Felipe Schmidt)

terça-feira, 7 de outubro de 2014

RECEITAS DE TV LEVA O FUTEBOL BRASILEIRO RUMO À "ESPANHOLIZAÇÃO"


Abismo entre as receitas dos clubes mais ricos do Brasil não para de crescer, diz estudo do Itaú BBA. Problema vem do repasse de receitas de TV


Francisco Loureiro
São Paulo (SP)
Flamengo x Corinthians (Foto: Bruno de Lima/LANCE!Press)
O futebol brasileiro caminha em passos largos em direção à ‘‘espanholização’’, e o principal motor desse processo é a distribuição das cotas de TV, segundo levantamento do Itaú BBA. O termo se refere à situação da Liga BBVA (Espanha), na qual Real Madrid e Barcelona abocanham 55% da receita total do campeonato e boa parte dos títulos nacionais.
No Brasil, o termo ganhou força a partir de 2011, quando a Rede Globo passou a negociar individualmente os contratos de TV e privilegiou os clubes com maior torcida, sobretudo Corinthians e Flamengo, que em 2013 receberam 20% de toda receita de TV do Brasil (R$ 213 milhões).
Para mostrar a concentração das receitas de TV no Campeonato Brasileiro, o Itaú BBA separou os 23 clubes com maior receita em quatro grupos que receberam valores similares da Rede Globo nos últimos anos, e a constatação é preocupante: o abismo só aumentou.
Em 2011, o Grupo 1, formado por São Paulo, Corinthians, Flamengo, Internacional e Atlético-MG tiveram receitas de R$ 980 milhões no total, R$ 257 milhões a mais do que recebeu o Grupo 2 (R$ 722 milhões), formado por Santos, Cruzeiro, Palmeiras, Grêmio e Vasco. Em apenas dois anos, essa distância dobrou, alcançando R$ 577 milhões.
Isto ocorre porque a emissora carioca aumentou o repasse ao Grupo 1 em um ritmo muito superior ao do visto pelo Grupo 2. Entre 2011 e 2013, o repasse ao primeiro escalão aumentou 43%, enquanto o segundo cresceu apenas 22%. A distância para o grupo formado por Botafogo, Fluminense, Coritiba, Atlético-PR e Bahia é ainda maior: de R$ 679 milhões, em 2011, para R$ 877 milhões em 2013. Na média, cada clube do primeiro escalão teve receitas de R$ 281 milhões, contra R$ 106 milhões do terceiro.
Essa distribuição de receitas de TV tem impacto direto nos resultados esportivos dos clubes, segundo o banco. Para efeito de comparação, só a diferença de receitas de TV de Corinthians (R$ 103 milhões) e Palmeiras (R$ 72 milhões) é suficiente para que o alvinegro tenha R$ 2,3 milhões a mais do que o rival por mês. O valor seria próximo do necessário para pagar o salário de três jogadores do nível de Alexandre Pato (R$ 800 mil mensais). Se comparado com o Internacional, décimo clube que mais recebe cotas de TV, a diferença é ainda pior: R$ 50 milhões por ano, ou 3,8 milhões mensais.
O abismo entre o clube que mais recebeu, Flamengo (R$ 110 milhões) e o que menos recebeu, Ponte Preta (R$ 19 milhões), é de 5,8 vezes. Para o banco, os clubes brasileiros deveriam mirar a Bundesliga alemã, onde o Bayern de Munique recebe apenas o dobro do clube pior colocado da liga, o Greuther Fürth.



Leia mais no LANCENET! http://www.lancenet.com.br/minuto/Diferenca-receitas-TV-brasileiro-espanholizacao_0_1225677421.html#ixzz3FTVCXyjR
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QUESTÕES DISCIPLINARES E PROFISSIONAIS NAS CATEGORIAS DE BASE

 em BannerBlogs e ColunasMarcio Cruz 10:44- 7 de outubro de 2014 0 Comentários

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Olá, internautas.
Muito tem se falado a respeito da necessidade de mudanças radicais no futebol brasileiro, a fim de viabilizar o seu desenvolvimento e a melhora como um produto a ser consumido.
Ocorre que, podendo estarmos enganados, não nos deparamos com propostas concretas de uma revolução nas categorias de base dos clubes, além das questões técnicas e táticas.
Toda profissão requer grandes aprendizados e estudos, para que seja alcançado o ápice profissional com a excelência exigida durante a preparação, como estudo básico, fundamental, médio, superior, conhecimentos específicos de especialização, MBA, pós graduação e, em algumas áreas, até mestrado e doutorado. Por que o futebol não é encarado dessa forma?
Deve o atleta de futebol encarar o ambiente em que convive como sua profissão e, assim sendo, agir como um profissional, devidamente preparado. Mais que formar-se atletas com habilidades e aptidões técnicas, táticas e físicas, já é hora de serem implementadas medidas visando a profissionalização do atleta de futebol nos clubes.
Infelizmente, poucos são os atletas que adotam uma postura profissional durante as suas carreiras, mesmo com uma parcela, ainda que mínima, recebendo vencimentos muito acima de profissionais como CEO, Magistrados, Médicos, entre outros, os quais necessitam de grandes investimentos para alcançarem a excelência profissional.
Não se trata de nenhuma crítica aos salários recebidos, muito pelo contrário, se os atletas os recebem, é devido a uma parte que está proposta a pagá-los, restando configurados como lícitos e merecidos. Ocorre que não é de hoje que, principalmente em relação aos brasileiros, exige-se uma postura mais profissional dos atletas de futebol, notadamente quando alçam voos em terras internacionais.
Quais medidas poderiam ser eficazes para essa implementação profissional? Embora não sejamos nenhum Expert da área de Gestão Esportiva, acreditamos que o primeiro passo para a conscientização e implementação do “Profissionalismo”, isso mesmo, com “P” maiúsculo, no futebol, seria a adoção de medidas padrões aplicáveis desde as categorias de base iniciais, a partir das equipes Sub-11.
Inicialmente é necessário dar estrutura básica para os atletas desde a iniciação no esporte, como a disponibilização de alimentação adequada, apoio assistencial, psicológico e nutricional, aparelhamento apto a desenvolver a forma física, alojamentos com infraestrutura, educação, cultura e lazer. A partir do atendimento aos requisitos básicos de desenvolvimento humano, ficaria mais fácil implementar um perfil profissional e exigir uma postura mais séria e disciplinada dos atletas.
Além da profissionalização, necessário se faz ensinar aos atletas as regras básicas da modalidade esportiva, assim como a existência e a sujeição às medidas disciplinares previstas no Código Brasileiro de Justiça Desportiva e em outras áreas ligadas ao esporte.
Citadas medidas, devem servir exatamente como uma Universidade do Atleta, de forma a viabilizar a formação do Jovem Atleta, preparando-o para o futuro profissional e, assim, poder encarar o futebol como uma efetiva profissão e meio para a sua vida e subsistência própria e de sua família.
A implementação de tais medidas, embora adotadas de forma básica em remotas entidades de prática desportiva, deveria ser encarada de maneira mais séria e enérgica, trazendo reflexos naquela que é considerada uma parcela soberana no futebol profissional nacional, onde a maioria dos atletas, ganham baixos salários, trabalham em condições precárias, muitas vezes em condições análogas a de escravo, submetendo-se ao referido cenário, tudo pela busca incessante de um grande sonho.
Idealmente falando, não seria necessário exigir-se tal postura das entidades de prática desportiva, eis que a ordem natural do homem médio, impõe que estas fossem adotadas e cumpridas espontaneamente, agindo na linha da Teoria do Risco Integral, onde aquele que se submete a ingressar no mercado deverá suportar os riscos da atividade empresarial, não havendo se falar que se tratam de associações sem fins lucrativos, quando a realidade expressa é totalmente o contrário.
Sabemos que o futebol carece de várias medidas a serem urgentemente implementadas a fim de viabilizar a manutenção de diversas entidades, porém de nada adianta a mudança, sem que seja iniciada pela origem e o nascimento de tudo, ou seja, como a própria expressão sugere, a base de tudo é a “base”.
Importante a conscientização dos dirigentes esportivos de que o mundo atual, exige do esporte a profissionalização e a estruturação de um modo geral, a fim de viabilizar o sucesso futuro, fazendo parte desse processo manter uma equipe de profissionais relacionadas a todas as áreas que envolvam a prática desportiva, pelo que sem tal receita, o êxito estará jogado ao acaso.
Foi um prazer tratar de mais um tema jus desportivo com todos os internautas e voltaremos em breve.
Abraço a todos.

MARCIO CRUZ
Advogado especialista em Direito Desportivo
www.mcadv.adv.br
marciocruz@mcadv.adv.br

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O PRIMEIRO PASSO PARA UM ACERTO ENTRE CBF E BOM SENSO

CBF e Bom Senso acenam com criação de órgão independente de fiscalização

Pedro Lopes
Do UOL, em São Paulo


  • Bom Senso vê reunião como avanço significativo na discussão fiscal dos clubes
    Bom Senso vê reunião como avanço significativo na discussão fiscal dos clubes

De acordo com a conversa desta quinta, a criação do órgão independente de fiscalização dos clubes seria incluído na Lei de Responsabilidade Fiscal, que deve ser votada em setembro pela Câmara dos Deputados.  
"A reunião foi excelente, saímos muito otimistas. Foi um grande passo para a melhoria do futebol. As arestas foram quase todas apagadas. Estamos falando a mesma língua", afirmou Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba e espécie de interlocutor da CBF na questão.
"Foi uma das primeiras reuniões animadoras, com o consenso sobre a criação de um órgão fiscalizador. O que falta definir é como ele será composto e finalizar isso com a CBF e a comissão de clubes. A reunião também acabou com muito 'diz-me-diz' que tinha. Há um consenso a partir de agora", manifestou Ricardo Borges, representante do Bom Senso na reunião em São Paulo.
De acordo com estudos preliminares feitos pelo Bom Senso, o órgão de fiscalização independente proposto teria o custo de R$ 3,5 milhões por ano, com 15 funcionários. Na reunião desta quinta ficou acertado que o modelo passará por uma rediscussão. No entanto, a CBF se mostrou disposta a arcar com os custos.
"O custo desse instrumento é muito pouco se comparado com o benefício que ele trará ao futebol brasileiro", indicou Vilson Ribeiro de Andrade.
Ainda existem outras pendências para que a Lei de Responsabilidade Fiscal seja votada. Os clubes concordam com o uso da taxa de juros no financiamento e aguardam uma resposta definitiva do governo para acertar o parcelamento e o prazo.
Na reunião desta quinta, o Bom Senso também manifestou o desejo de maior periodicidade de fiscalizações de cumprimento das responsabilidades fiscais e trabalhistas. O movimento de jogadores ouviu dos clubes um sinal positivo sobre a demanda, e esta fiscalização pode ser até mensal.
Representantes do Bom Senso se reúnem na próxima segunda-feira com o Ministério do Esporte para continuar debatendo detalhes sobre a questão.
OPINIÃO: Eu não acredito em nada do que foi dito nessa matéria, porque para isso tudo realmente acontecer, teríamos que começar do zero, fechando a porta dos clubes e fazendo uma caça as bruxas, e isso é o que a CBF, a bancada da bola e muitos empresários mais abominam para não dizer que eles tem medo.