quarta-feira, 12 de março de 2014

SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS - FUTEBOL EM ALTA E FINANÇAS BEIRANDO A MISÉRIA



Palmeiras engaveta aporte de R$ 54 milhões e tenta solucionar dívida

Danilo Lavieri, Mauricio Duarte e Pedro Lopes
Do UOL, em São Paulo


Leonardo Soares/Uol

  • Presidente do Palmeiras, Paulo Nobre busca soluções para sanar dívidas do clube
    Presidente do Palmeiras, Paulo Nobre busca soluções para sanar dívidas do clube
Com esse FIDC, o Palmeiras teria dinheiro emprestado a juros mais baixos que o normal do mercado e cinco anos para saldar a nova dívida. Embora o cenário seja negativo, o presidente Paulo Nobre e seus diretores não jogaram a toalha definitivamente. Apenas preferem não contar com a verba, já que não há garantias de que ela sairá. O Palmeiras já não conta com os R$ 54 milhões que seriam provenientes de um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) por meio do Banco Votorantim. A informação foi confirmada ao UOL Esporte pelo presidente do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização), Alberto Strufaldi. Por meio de sua assessoria de imprensa, por sua vez, o clube informou que "a diretoria executiva não comentará o assunto".


A primeira previsão indicava que o time receberia o montante em dezembro, mas uma ação judicial envolvendo a dívida em relação à compra de Wesley, em 2012, do Werder Bremen, da Alemanha, travou o andamento do processo. Na Justiça, a dívida estava avaliada em R$ 21 milhões inicialmente, mas um recurso palmeirense bem sucedido fez com que a dívida diminuísse para R$ 6,5 milhões.



Agora, sem poder receber a verba, o Palmeiras iniciará uma nova forma para poder lidar com suas dívidas. Uma reunião do COF com o presidente Paulo Nobre na noite da última segunda-feira definiu que um novo plano de contenção de gastos e de aumento de receita será traçado.

"O cenário mudou e a gente não vai mais esperar esse FIDC. Na verdade, isso não ia resolver muita coisa. A gente precisa entender que o cenário mudou. A reunião de segunda-feira serviu para o presidente nos mostrar o que temos de dívidas e como vamos resolver isso. É conter gastos e aumentar receitas", disse Strufaldi por telefone.
Um dos meios de aumentar receita seria a possibilidade do Palmeiras fechar um contrato de patrocínio máster com a Caixa Econômica Federal. O assunto segue travado pelo fato do Palmeiras não ter a certidão negativa de débitos, requisito mínimo para que dinheiro público seja investido em qualquer empresa. Strufaldi afirmou que para esse assunto também não há previsão de andamento.


O contrato de Wesley é válido até fevereiro de 2015, mas a dívida do Palmeiras com o presidente do Criciúma, Antenor Angeloni – o dirigente foi avalista na contratação do volante, ainda na gestão de Arnaldo Tirone – é algo que incomoda a diretoria alviverde e coloca a permanência do jogar em xeque. Angeloni move ação judicial contra o clube paulista, cobrando R$ 15,3 milhões.

FONTE:
http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2014/03/11/palmeiras-engaveta-aporte-de-r-54-milhoes-e-tenta-solucionar-divida.htm

sábado, 8 de março de 2014

ÁS VÉSPERAS DO MAIOR ENCONTRO FUTEBOLISTA DO PLANETA, A ONDA DE RACISMO INVADE AS ARENAS

“Macaco imundo. Volta para o circo. Tem de matar essa negrada.” Gritos ao árbitro Márcio Chagas em Bento Gonçalves na quarta-feira. “Macaco, macaco, macaco.” Gritos a Arouca em Mogi Mirim ontem. Só hipócritas fingem não ver o quanto é forte o racismo no futebol brasileiro…1divulgacao1 Macaco imundo. Volta para o circo. Tem de matar essa negrada. Gritos ao árbitro Márcio Chagas em Bento Gonçalves na quarta feira. Macaco, macaco, macaco. Gritos a Arouca em Mogi Mirim ontem. Só hipócritas fingem não ver o quanto é forte o racismo no futebol brasileiro...

"Macaco imundo. Preto safado."
"Volta para o circo."
"Tem de matar essa negrada."
Gritos da torcida em Bento Gonçalves na noite de quarta-feira.
O alvo, o árbitro Márcio Chagas da Silva.
No estacionamento, seu carro estava riscado amassado a chutes.
E com várias bananas em cima.
Humilhado, Marcio Chagas tirou fotos da situação vergonhosa.
Ao tentar ligar seu carro, ouviu um estouro.
Havia outras bananas no escapamento.
"Macaco, macaco, macaco."
Berravam torcedores do Mogi Mirim ontem à noite.
Arouca do Santos era a vítima dos insultos.
Duas situações que deixam claro a hipocrisia.
O Brasil é sim um país preconceituoso, racista.
Que se escandalizou com as ofensas a Tinga no Peru.
Quando torcedores do Real Garcilaso imitaram macacos quando Tinga pegavam na bola.
Ou quando uma banana foi oferecida a Roberto Carlos na Rússia em 2011.
Mas fez questão de se esquecer quando Danilo do Palmeiras em 2010.
Ele não só chamou Manuel do Atlético Paranaense de 'macaco'.
Ainda cuspiu no seu rosto.
O árbitro gaúcho ficou até aliviado ao chegar em casa.
Ele realmente pensou que poderia ser espancado em Bento Gonçalves.
"Percebi que corria um risco grave, que poderiam ter feito algo muito pior comigo. Não teve nenhuma polêmica no campo, o Esportivo até ganhou (3 a 2). Mesmo assim, torcedores gritavam "preto ladrão" e "volta para a selva" o tempo todo."
Além de 'tem de matar essa negrada'.
A situação aconteceu exatamente três semanas depois do episódio com Tinga.
Muito consciente, o volante do Cruzeiro desabafou.
"Todo mundo achou um absurdo o que fizeram comigo. Também vão achar um absurdo o que fizeram com o Márcio. Mas e daí? As punições são brandas, não acontece nada, ninguém leva a culpa. Vai seguir tudo igual."
A sua descrença ao Zero Hora tem razão de ser.
O futebol brasileiro é permissivo.
Aceita o preconceito racial.
O próprio Luiz Felipe Scolari, técnico da Seleção, errou feio.
Como técnico do Palmeiras tentou defender Danilo.
Disse que ofensas no gramado são normais, são coisas do jogo.
Não são.
1ecp Macaco imundo. Volta para o circo. Tem de matar essa negrada. Gritos ao árbitro Márcio Chagas em Bento Gonçalves na quarta feira. Macaco, macaco, macaco. Gritos a Arouca em Mogi Mirim ontem. Só hipócritas fingem não ver o quanto é forte o racismo no futebol brasileiro...
Essa postura só estimula ainda mais o preconceito racial.
Em 2011, o meia do Inter, Zé Roberto, foi humilhado.
Vários torcedores do Grêmio imitavam macaco quando ele participava da jogada.
A diretoria exigiu punição.
Ela não veio.
Ainda foi lembrado que a mulher de Zé Roberto também era negra.
E acabou obrigada a entrar em um prédio em Porto Alegre pela porta de serviço.
Pela cor da sua pele.
Mas muita gente não aceita essa estúpida situação.
O árbitro Márcio Chagas prometeu que não vai abaixar a cabeça.
"Eu preenchi a súmula, eu vou fazer o boletim de ocorrência ainda, porque não consegui fazer ontem. Fiquei bem abalado emocionalmente e não consegui fazer naquele momento, queria voltar o mais rápido possível para minha residência. Vou entrar em contato com o sindicato dos árbitros, para ver qual procedimento adotar. E esperar o julgamento da Federação Gaúcha de Futebol a esse fato lamentável."
Ele chorou ao contar a situação para a RBS.
"Quando me deparei com meu veículo com as portas amassadas e bananas por cima… banana no cano de descarga, eu fiquei muito decepcionado por ser tratado dessa forma, já que vivemos numa cidade relativamente educada e evoluída. Eu pensei no meu filho. Pensei: "Eu vou dar um beijo no meu filho" e dizer "cara, para ti isso não vai acontecer porque isso é muito ruim, é muito ruim."
2reproducao4 Macaco imundo. Volta para o circo. Tem de matar essa negrada. Gritos ao árbitro Márcio Chagas em Bento Gonçalves na quarta feira. Macaco, macaco, macaco. Gritos a Arouca em Mogi Mirim ontem. Só hipócritas fingem não ver o quanto é forte o racismo no futebol brasileiro...
Só que ele mesmo sabe que o que passou não é inédito.
Há nove anos ouviu as mesmas ofensas.
Na partida entre Encantado e Caxias.
O então treinador do Encantado, Danilo Mior, não teve dúvidas.
Se aproveitou do clima contra Márcio.
"Negrão coitado", disparou.
Foi suspenso apenas por 60 dias.
Só que as ofensas racistas vindas das arquibancadas nunca cessaram.
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"Isso sempre acontece na Serra Gaúcha. É muito difícil trabalhar lá."
Márcio revela que pensou em abandonar a carreira de árbitro.
O que aconteceu na noite de quarta-feira foi além dos seus limites.
Pensava só no Brasil racista que seu filho Miguel de dez anos vai encontrar.
A diretoria do Esportivo de Bento Gonçalves tomou uma providência.
Não, não descobriu quem colocou as bananas.
E nem quem teve fácil acesso ao carro do árbitro no estacionamento.
Soltou uma nota oficial dizendo que o juiz alegou ter recebido ofensas racistas.
Garantiu que vai investigar e ser contra qualquer atitude de racismo.
É assinada pelo seu presidente Luis Delano Lucchese Oselame.
A direção sabe que o clube deverá pagar pelos atos absurdos.
Mas a punição maior que o Esportivo pode sofrer é ridícula.
Branda demais.
O que só estimula novos atos racistas.
"Estou esperando ser publicada a súmula, ver o que consta na súmula. Mas o que consta na imprensa já dá indícios para denunciar o clube no artigo 243-g parágrafo 1º do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, sobre racismo. Quando praticada por um considerado número de pessoas, o clube pode perder os pontos de uma vitória, nesse caso, os três pontos da partida. Vou pedir isso."
Três pontos...
É o máximo que o procurador Alberto Franco poderá conseguir.
Assim decreta o CBJD.
Talvez se os torcedores racistas tivessem dado uma surra...
1twitter Macaco imundo. Volta para o circo. Tem de matar essa negrada. Gritos ao árbitro Márcio Chagas em Bento Gonçalves na quarta feira. Macaco, macaco, macaco. Gritos a Arouca em Mogi Mirim ontem. Só hipócritas fingem não ver o quanto é forte o racismo no futebol brasileiro...
Ou feito coisa pior com o árbitro a pena fosse maior.
A mãe de todas esse atos repugnantes é a impunidade.
O futebol brasileiro continua tão hipócrita quanto no início do século passado.
Quando jogadores negros eram obrigados a colorir a pele com pó de arroz.
Tentar fingir ser brancos para poder entrar em campo.
Dilma Rousseff se disse chocada com o que aconteceu com Tinga no Peru.
Prometeu a Copa contra o Racismo.
Mas não tem a menor ideia do que se passa por aqui.
Ou os gritos de macacos para Márcio e Arouca são os únicos?
O Carnaval acabou há apenas três dias, o melhor talvez seja relaxar.
Lembrar de uma marchinha que resume bem a situação do Brasil.
Foi composta em 1931 por Lamartine Babo.
Vale o seu primeiro refrão, o mais lembrado.
Que foi muito cantado ainda este ano pelos blocos no país todo.
"O teu cabelo não nega mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega mulata
Mulata eu quero o teu amor."
Todos cantam felizes sem pensar.
Sem avaliar.
Só porque a cor 'não pega' que o sujeito quer o amor da mulata.
Lamartine Babo talvez fez muito mais.
Foi um compositor compulsivo.
Escreveu os hinos de Flamengo, Vasco, Botafogo, Fluminense e América, Bangu.
Em uma estranha ironia misturou alegria, preconceito e futebol.
Resumo bem feito do nosso país.
Tirar três pontos do Esportivo por toda a humilhação feita a Marcio Chagas...
Será mais um tapa na cara da sociedade brasileira.
Só mais um.
Outra vitória da hipocrisia, dos racistas...
1reproducao1 Macaco imundo. Volta para o circo. Tem de matar essa negrada. Gritos ao árbitro Márcio Chagas em Bento Gonçalves na quarta feira. Macaco, macaco, macaco. Gritos a Arouca em Mogi Mirim ontem. Só hipócritas fingem não ver o quanto é forte o racismo no futebol brasileiro...

Perfil

Cosme Rímoli
www.r7.com/cosmerimoli
Ganhou o prêmio Aceesp por seis vezes, como melhor repórter esportivo entre jornais e revistas de São Paulo. Trabalhou 22 anos no Jornal da Tarde. Começou com o blog no UOL, em 2009. Em sete meses, teve mais de 11 milhões de acessos. Cobriu as últimas Cinco Copas do Mundo, seis Eliminatórias para a Copa, quatro Copas América, dezenas de finais de Libertadores, Brasileiros e Campeonatos Paulistas. Mundial de Clubes no Japão 2011. O Pan-Americano do México. Três etapas do UFC. Olimpíadas de Londres 2012. Copa das Confederações em 2013. Foi a 29 países cobrir eventos esportivos
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NO PAÍS DO FUTEBOL, O FUTEBOL FEMININO É UMA UTOPIA

No futebol brasileiro, as mulheres não têm motivo algum para comemorar. Seu dia será esquecido. Como são seus torneios clandestinos. Sem interesse da tevê, de patrocinadores, de público. Não há vontade de ver brasileiras chutando uma bola…


1efe No futebol brasileiro, as mulheres não têm motivo algum para comemorar. Seu dia será esquecido. Como são seus torneios clandestinos. Sem interesse da tevê, de patrocinadores, de público. Não há vontade de ver brasileiras chutando uma bola...
Marta no sorteio da Copa do Mundo, na Bahia.
Deslocada, desconfortável.
Enquanto centenas de jornalistas do mundo inteiro buscavam informações.
Lá ela estava à vontade, sem ser importunada.
Principalmente por repórteres brasileiros.
Isso apesar de Marta ser a mais talentosa jogadora de todo o mundo.
O motivo é tão simples como cruel.
O futebol feminino não desperta o menor interesse no Brasil.
Não pode ser considerado profissional.
Os clubes que insistem em existir pagam salários pífios.
Incomparável com o que os homens recebem.
Muito, mas muito menos.
Jogam em estádios acanhados, muitas vezes vazios.
A situação é de puro constrangimento, de penúria.
Muitas ganhando salário mínimo.
Neste e na grande maioria dos dias internacionais das mulheres é a mesma coisa.
Promessas mentirosas dos dirigentes, das autoridades.
Que serão criados torneios importantes, de grande visibilidade.
Com as tevês fazendo fila para mostrar.
Ano após ano é a mesma coisa e, no final, nada.
José Maria Marin passou vergonha diante de Joseph Blatter.
O presidente da Fifa fez um pedido público.
Que o Brasil não 'esquecesse de suas mulheres no futebol'.
Marin sorriu e prometeu que iria cuidar delas.
Mas logo se esqueceu da promessa.
O futebol feminino neste país é clandestino.
Disputa torneios que podem ser chamados de piratas.
Abandonados pela mídia, patrocinadores, torcedores.
E em um viés totalmente inverso do atual mundo feminino.
Não há a menor perspectiva de mudanças.
Mesmo com 2016 o Brasil sendo sede de uma olimpíada.
O planejamento é pífio, quase inexistente.
Marin já tentou repassar o problema para os grandes clubes brasileiros.
Mas eles já estão às voltas com mais de R$ 4,7 bilhões em dívidas.
O Santos foi o último a tentar.
Formou um esquadrão, com a maioria das atletas da Seleção Brasileira.
Inclusive Marta.
Ganhou inclusive Libertadores.
Mas o sonho durou uma temporada com tevê.
A falta de audiência e de patrocinadores logo matou o time.
E as jogadoras da Seleção foram para o Exterior cuidar da vida.
O atual campeão da Libertadores feminina é o São José.
O vice é o time colombiano chamado Formas Íntimas.
Mas 99,9% da população brasileira não tem a menor ideia.
As jogadoras tentam se defender.
Dizem que são injustiçadas.
Sofrem com o machismo do brasileiro.
"Estados Unidos e a Alemanha não conquistam tudo à toa.
Eles têm estrutura.
Nós passamos por muitas dificuldades.
E enfrentamos machismo e preconceito."
O desabafo é de Marta.
1divulgacao2 No futebol brasileiro, as mulheres não têm motivo algum para comemorar. Seu dia será esquecido. Como são seus torneios clandestinos. Sem interesse da tevê, de patrocinadores, de público. Não há vontade de ver brasileiras chutando uma bola...
Ela já se cansou dessa situação que perdura desde 1983.
Foi o ano que o histórico Radar ganhou o primeiro brasileiro.
Embora tenho ganho vários torneios anônimos, o Radar ficou conhecido.
Era tão bom que representou até a Seleção Brasileira.
Sem apoio, o time foi minguando até morrer em 1989.
As mulheres no País ganham espaço em quase todos os seguimentos.
O futebol feminino é uma digna exceção.
Executivos da Globo nem pensam em perder tempo.
Sabem que a rejeição é enorme.
Assim como a Bandeirantes.
E os canais a cabo não se estimulam com mulheres jogando futebol.
Só transmitiriam o esporte se houvesse um grande patrocinador.
Mas eles não existem.
Grandes clubes masculinos do País não têm uma empresa master na sua camiseta.
Várias atletas da Seleção já choraram diante das câmeras.
Pediam apoio, campeonatos de verdade.
Mas perderam tempo.
1reproducaoecm No futebol brasileiro, as mulheres não têm motivo algum para comemorar. Seu dia será esquecido. Como são seus torneios clandestinos. Sem interesse da tevê, de patrocinadores, de público. Não há vontade de ver brasileiras chutando uma bola...
A Fifa contabiliza 29 milhões de mulheres jogando futebol no mundo.
No Brasil são cerca de oito milhões que praticam o esporte.
Mas mesmo as que gostam de jogar não querem ver mulheres atuando.
Preferem os homens.
A situação se mostra constrangedora.
Mesmo o Brasil já tendo conquistado o vice na Copa do Mundo em 2007.
E o terceiro lugar em 1999.
Medalha de prata nas Olimpíadas de Atenas e de Pequim.
Sem um título importante, logo as meninas ficaram queimadas.
Acabaram taxadas de 'pipoqueiras', inseguras nas decisões.
A situação da mulher jogadora de futebol no país é caótica.
Ela é obrigada a ter uma outra profissão para sobreviver.
A fórmula do Brasileiro vai mudando de acordo com o ano.
É tudo amador, mambembe.
Com jogos e gols que muitas vezes nem os parentes das jogadoras assistem.
A proximidade da Olimpíada nos dois próximos anos podem disfarçar.
Qualquer migalha do governo federal e um olímpico competitivo poderá ser montado.
E com a obrigação de conquistar a medalha de ouro.
A intolerância e incompetência da Seleção Masculina chegarão triplicados na Feminina.
Estas são a marca da CBF.
Houve muita frustração coma eliminação do Brasil nas Olimpíadas de 2012.
O time caiu diante do Japão nas quartas.
Marin tratou internamente o resultado como um vexame, um caos.
Se esqueceu do Brasileiro pirata que organiza.
E que obriga as melhores do país a atuar fora.
Como Marta que está no Tyresö FF desde 2012.
A mulher moderna se destaca em várias áreas da vida brasileira.
Já é em maior número no trabalho e na escola.
Mas no futebol é sinônimo de clandestinidade.
Como dirigente, no entanto, jogou uma grande oportunidade fora.
Patricia Amorim foi presidente do clube mais popular do País.
Só que mostrou tanto despreparo quanto incompetência no Flamengo.
Levou até vícios da vida pública de vereadora para a Gávea.
Empregou parentes.
Levou funcionários do clube para seu gabinete político para ganharem dinheiro.
E trabalhar na Gávea.
Foi publicamente manipulada por homens de sua diretoria.
Um caos.
Sua eleição foi um retrocesso para a mulher como dirigente de futebol.
As brasileiras têm muito a se orgulhar hoje.
Menos no futebol.
O balanço é amplamente desfavorável.
Machismo, preconceito e pura rejeição do torcedor estão cada vez mais fortes.
De novo, mostra que a sua esperança no futuro não morre.
"Quem sabe as coisas não mudam se ganharmos uma medalha de ouro na Olimpíada?"
A sua insistência é louvável.
A melhor jogadora do mundo fica agoniada quando vem ao Brasil.
Não tolera ver a penúria dos torneios femininos por aqui.
Com toda a razão se revolta.
E muitas vezes prefere nem ver.
Marta não está sozinha.
Há milhões de homens que pagam para não ver futebol feminino.
Pelo menos neste país...

1ae3 No futebol brasileiro, as mulheres não têm motivo algum para comemorar. Seu dia será esquecido. Como são seus torneios clandestinos. Sem interesse da tevê, de patrocinadores, de público. Não há vontade de ver brasileiras chutando uma bola...
www.r7.com/cosmerimoli

Perfil

Cosme Rímoli

Ganhou o prêmio Aceesp por seis vezes, como melhor repórter esportivo entre jornais e revistas de São Paulo. Trabalhou 22 anos no Jornal da Tarde. Começou com o blog no UOL, em 2009. Em sete meses, teve mais de 11 milhões de acessos. Cobriu as últimas Cinco Copas do Mundo, seis Eliminatórias para a Copa, quatro Copas América, dezenas de finais de Libertadores, Brasileiros e Campeonatos Paulistas. Mundial de Clubes no Japão 2011. O Pan-Americano do México. Três etapas do UFC. Olimpíadas de Londres 2012. Copa das Confederações em 2013. Foi a 29 países cobrir eventos esportivos.

sexta-feira, 7 de março de 2014

ACONTECEU MAIS UMA VEZ: AROUCA FOI CHAMADO DE "MACACO"

Arouca é chamado de macaco após marcar golaço diante do Mogi Mirim


Após goleada diante do Mogi Mirim, e um belo gol marcado, Arouca teria tudo para dormir feliz. Teria. Depois do apito final, enquanto conversava com jornalistas, o volante foi chamado de 'macaco', em frente à polícia, que nada fez.
Arouca ficou desolado, procurou os racistas, e disse. "Isso é bom nem ouvir, né, nem dar ouvidos a esses pessoas, se dá para chamar isso de pessoas. Situação hoje em dia é difícil comentar, isso não acontece só no meio do futebol. Espero que alguém possa tomar uma providência muito severa, porque isso é lamentável", disse o jogador, demonstrando tristeza.
O caso é recorrente. O volante Tinga, em partida pela Libertadores, foi vítima de racismo de torcedores peruanos no mês passado. Está na hora das federações e a C.B.F. fazer alguma coisa, dia desses foi um arbitro que foi ofendido por torcedores no sul do Brasil, e este fato lamentável vem se tornando cada dia mais comum com ofensas racistas.